Terça-feira, Maio 23, 2006

A verdadeira história de El Rei D. Sebastião

‘Fugiu de Alcácer Quibir
El Rei D. Sebastião’
Os trovadores do Quarteto 1111

Estrada de Alcoutim. 7.13 da manhã. Fevereiro de 1579.

(Ouvem-se passos de cavalo)
Agente da Guarda Nacional Monárquica – Quem vem lá? Raio do Nevoeiro. Identifique-se, se fáxavôr.
D. Sebastião – El Rei, meu bom homem. Aqui El Rei.
GNM – El Rei? Mostre-se à ótoridade, fáxavor.
D. Sebastião – Estou a chegar, meu bom vigilante. Venho por bem.
GNM – Ora encoste-se aqui á beira da estrada fáxavor, para não incomodar o trânsito.
A sua identificação e os documentos do equídeo, fáxavor.
D. Sebastião – Sou El-Rei D. Sebastião. Mereço a Vossa vassalagem. E este cavalo não tem documentos, pois trouxe-o de Alcácer-Quibir.
GNM – D. Sebastião? Vassalagem? E o equídeo não tem documentos é isso?
D. Sebastião – É isso, meu bom homem.
GNM – Ora com que então sem documentos e a fazer-se passar pela falecida Majestade, ãh? Está a gozar com a ótoridade ou quê? Desça já do equídeo fáxavor.
D. Sebastião – N-não estou a gozar consigo. Estou-lhe a dizer: Sou Sua Majestade El-Rei D. Sebastião. Fugi do cárcere dos infiéis e roubei este cavalo para poder fugir para Portugal e regressar ao trono.
GNM – E ainda admite o furto do equídeo (puxa a espada). Desça com as mãos onde a veja se e não resista à ótoridade se fáxavor.
D. Sebastião – (descendo do cavalo). Estou-lhe a dizer que sou o Rei de Portugal, fugi do infiel!
GNM – El Rei, está bem está. Deve pensar que a ótoridade é parva. As mãos contra o equídeo fáxafavor para eu o revistar.
D. Sebastião – Ouça o que lhe digo: Sou D. Sebastião, Rei de Portugal, neto de El-Rei D. João III e estive a lutar contra o infiel. Se me deixar ir recompenso-o com o título de Conde e concedo-lhe um feudo onde desejar.
GNM – (Enquanto revista D. Sebastião) A subornar a ótoridade? Oh-oh-oh! Eu sou um homem honrado. A mim ninguém me compr… Qué isto? Quéque vomeçê trás aqui?
D. Sebastião – É para me tratar… Sofri bastantes injúrias no cárcere. Um aldeão mouro ofereceu-me essa barra para fazer um chá que me ajuda com as dores.
GNM – Com que estão um cházinho, ãh? Para as dores? Uma barra inteira destas? O meu amigo agora é que não se safa: Ora, faz-se passar pelo nosso mui querido e defunto soberano e só isso era suficiente para o levar à forca. Para além disso, entrou clandestinamente no país, não traz identificação pessoal, faz-se deslocar num equídeo roubado, tentou corromper um agente da ótoridade e ainda por cima transporta uma grande quantidade de substâncias estupefacientes. Não sei se está a ver bem, mas o meu amigo está bem tramado.
D. Sebastião – Mas sou O Desejado! Ordeno que me obedeça senão vai sofrer graves consequências!
GNM – Qual desejado… Você vai ser é O Enforcado! Mãos atrás das costas e vamos a manter o bico caladinho. Devia era ter pensado no que se estava a meter antes de transgredir. Só vai ter o que merece. Tenho cá uma raiva a esta bandidagem. Vá lá, à minha frente, andor…

6 Comments:

Anonymous mermaid said...

Oh... e tanta gente à espera que ele voltasse...

(estão-me aqui a dizer que, mesmo de cabelo pintado, continuo loura... Não percebi.)

1:23 AM  
Blogger Faneca said...

Ele voltou, só que não acreditaram que era ele.

É uma parábola ao que nos acontece no dia-a-dia: Quem sabe se o novo D. Sebastião não é, por exemplo, o Garcia Pereira? Ou a D. Custódia Claudine? De peruca e óculos de parede de zoomarine?

6:42 PM  
Anonymous mermaid said...

Opá, eu percebi, 'tava só a brincar... :)

Olha, e o Sócrates, não?

3:16 AM  
Blogger Faneca said...

O unico Sócrates que eu conheço é anterior ao D. Sebastiao. Nao conta. Mas se lhe revistassem os bolsos também o mandavam prá forca.

12:00 PM  
Anonymous mermaid said...

Mudam-se os tempos, mudam-se a culturas...

12:41 AM  
Anonymous Anónimo said...

É muito bem feito por não ter desobedecido à autoridade...

Ass: GNM

5:51 PM  

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